Vestir tecnologia. Essa é a tendência. E não se trata daquele tecido gostoso que deixa sua pele respirar tranquilamente durante a corrida ou de artigos do gênero, mas de integrar certas facilidades robóticas ao seu visual. Isso se chama “wearable technologie” (na tradução, algo como “tecnologia de vestir”) e promete virar seu guarda-roupas (ops) sua vida de cabeça para baixo, numa manobra que deve girar em torno de R$ 50 bilhões até 2018.

Começando pelo relógio que monitora a função cardíaca, passando pela câmera fotográfica acoplada ao olho, os óculos com acesso à internet (o já conhecido Google Glass, por exemplo) e chegando até o smartphone no pulso (como o anunciado iWatch, da Apple).

Google-Glass

Não mais revirar a bolsa atrás do celular para checar a rede social ou esperar a boa vontade da máquina fotográfica para registrar um momento especial em família. Afinal, tudo estará ali, acoplado ao seu corpo, impossível de ser ignorado, implorando para ser utilizado.

Imagina como vai ser interagir com aquele amigo que não sai do celular em plena mesa de bar lotada? Impraticável. Ou como ficará bem tênue a linha que separa aquilo que é público do que privado, com a possibilidade de alguém tirar uma foto sua, em qualquer situação, sem que você saiba disso? Adeus, privacidade!

Em compensação, se estiver meio pé-atrás com alguém antes de fechar um negócio, vai poder buscar todas as referências possíveis sobre a pessoa ali na hora, sem que ela perceba. Já consegue visualizar o impacto sobre as relações pessoais, entre clientes, entre uma empresa e outra?

Saindo do plano dos relacionamentos, viajar ou explorar uma cidade desconhecida de carro pode se tornar uma experiência muito mais agradável, uma vez que o trajeto correto a seguir até determinado destino poderá ser apontado por seus óculos direto na visão que tem da estrada. Isso sem se falar em sensores captando todo o trabalho dos seus músculos para criar comandos que lhe permitam controlar objetos à distância.

Para reconhecer os acessórios da nova “moda”, alguns critérios de análise são válidos. Um verdadeiro wearable technologie está conectado à internet, pode ser usado em movimento, deixa uma ou ambas as mãos livres, não atrapalha seus movimentos, permite ser controlado por você (embora dê a entender o contrário) e o mais importante: está sempre disponível.

Uma evolução e tanto desde que, por estar sempre com as mãos ocupadas durante o voo, Santos Dumont acabou por deixar de lado o relógio do bolso para então popularizar o modelo de pulso, não é mesmo?

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